ENTREVISTA
Desta
vez, nosso entrevistado encontrava-se a mais de mil
quilômetros de distância, no Pirambú, em Fortaleza,
Ceará. Por esse motivo, a conversa com nossos alunos foi
feita por meio de uma videoconferência. Queremos
agradecer ao pedagogo Gerardo Damasceno, da ONG ACARTES,
"Academia de Ciência e Artes", que nos trouxe muitas
informações sobre seu trabalho com Arte e Educação, com jovens de comunidades
carentes. Alunos do professor Gerardo também estiveram
presentes virtualmente, durante a videoconferência. |

outubro/2008
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- Qual a sua formação? Eu sou formado em pedagogia,
tenho também formação em direção teatral,
fiz algumas oficinas e direção
de
audiovisuais. Eu tento
utilizar o conhecimento pedagógico de uma
maneira construtivista, buscando facilitar a construção de conhecimentos
a partir do teatro, do vídeo, mostrando que os alunos podem
criar histórias interessantes e que essas
histórias podem se transformar em pequenos filmes.
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Como surgiu a idéia de fazer cinema com jovens da comunidade de Pirambú?
Através
de um grupo de pessoas que
tinham feito cursos de direção, roteiro, teatro, etc. Criamos a ONG
ACARTES ”Academia de Ciência e Artes”, quando passamos a
desenvolver o projeto de uma escola de artes, no qual
trabalhamos com teatro, música, literatura e produção textual. A
ONG já tem quatro anos de existência e somos
hoje um ponto de cultura. "Pontos
de Cultura" é um projeto, uma ação do governo, que incentiva a cultura.
Qualquer entidade pode enviar um projeto, que é avaliado e, se
for selecionado, a organização passa a receber um apoio
financeiro.
-
No filme que vocês
estão fazendo tem algum personagem que usa cadeira
de rodas?
Sim.
Quando nós fomos
rodar o filme na cidade de Itaitinga, encontramos uma pessoa que sofreu um
acidente e ficou paraplégico. Esta pessoa passou no teste e resolvemos incluí-lo na história.
Na história original não tinha este personagem.
Assim, criamos o Juvenal, fizemos um história falando do acidente e com
isto pudemos questionar sobre as
necessidades de uma pessoa com
deficiência física.

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Como o governo brasileiro
apóia o cinema?
Existem
as chamadas leis de incentivo, leis de financiamento da cultura. A
nível federal, a mais conhecida delas
é a Lei Rouanet, de incentivo a projetos culturais. Qualquer pessoa
que escreva um filme pode realizar um projeto e enviar para o Ministério da Cultura, onde passa por uma
avaliação e, se selecionado, recebe um certificado para que possa
pleitear patrocínio com uma empresa. Na verdade, este certificado
lhe dá o aval de que, se a empresa investir no filme,
terá abatimento no imposto de renda.
Nos Estados
também existem recursos para o incentivo a cultura. A maioria dos filmes
utiliza desses recursos. O nosso filme conta com o apoio da Lei Rouanet.
-
Você acha que o filme brasileiro ajuda na vida das pessoas?
É uma pergunta
muito interessante. Nós sabemos que, no mundo todo, o cinema é uma grande indústria.
Nós sabemos que nos Estados
Unidos é a segunda maior indústria, que gera milhões e milhões de empregos.
E é através do cinema que a sociedade americana
divulga as suas idéias, divulga os seus serviços e produtos. Nós aprendemos sobre os hábitos daquelas pessoas, etc. Durante muitos e
muitos anos o cinema
foi encarado apenas como uma
forma de expressão artística, não era visto como uma indústria, mas hoje, com o
barateamento
das tecnologias, os jovens podem fazer cinema. Graças a essas tecnologias, os equipamentos que temos aqui
no Pirambú, como o telão e projetor de vídeos, é
possível fazer um pequeno cinema, onde exibimos filmes,
e também nas escolas públicas, onde podemos trocar informações e
conhecimentos.
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Por você escolheu trabalhar com jovens de comunidades carentes?
Eu nasci e me criei aqui no Pirambú, ainda moro aqui, minha mãe
mora neste bairro há 60
anos. Eu estudei, me formei e percebi que poderia contribuir com
o desenvolvimento da
nossa comunidade. Que eu poderia criar um escola, unida a uma coisa
de
que gosto, que é a
arte. Através deste projeto nós conseguimos diminuir um pouco a violência
urbana aqui na comunidade. Esta é a forma que encontramos para
contribuir. |
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O que este projeto trouxe de benefício para a comunidade?
Creio que o
monitor e ex-aluno Anderson pode responder a esta pergunta.
Anderson: Eu
trabalho aqui na ACARTES e estou fazendo o que sempre quis fazer. Como eu
moro aqui no Pirambú, antes era muito difícil. A ACARTES foi quem abriu
as portas para que eu aprendesse a fazer filmes, como sempre quis.
- Gostaria saber de um dos seus alunos qual a emoção de trabalhar em um projeto
como este?
Aluno: Eu acho
legal, a gente
aprende muito, eles
têm muito
para ensinar. Acho interessante
participar de
projetos assim.
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Como poderemos assistir o seu filme?
O
nosso longa-metragem só ficará pronto em fevereiro. Nós faremos uma
divulgação, e ele será exibido na TV Pública, na TV Brasil, onde poderá
ser visto a nível
nacional.
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